A cultura popular é o coração do nosso imaginário: um território onde fantasia, afeto e mistério se encontram para dar sentido às coisas que não conseguimos explicar. O que o Negrinho do Pastoreio, o Saci, a Iara ou o Curupira nos contam sobre a nossa própria relação com a terra e com a memória do País?

Celebrar essas narrativas é reconhecer  a imensa diversidade cultural e a riqueza da tradição oral que moldaram quem nós somos. Cada lenda carrega os saberes e as cosmovisões de povos originários e matrizes africanas que se entrecruzam no chão do Brasil. Tecidas na voz, no ritmo dos cantos e ao redor dos mais velhos, essas histórias mostram a oralidade como uma tecnologia afetiva indispensável para transmitir conhecimentos de geração em geração.

Na infância e na vida adulta, exercitar a fantasia é vital para o desenvolvimento humano. Antes de virar livro, toda ficção nasce da capacidade de fabular. A criança que aprende a fantasiar constrói repertório emocional, exercita o pensamento crítico e amplia sua leitura do mundo. 

Quando escutam e reinventam, os pequenos tornam-se “produtores de cultura” no seu cotidiano. É aí, na brincadeira e na força das lendas imaginadas e recontadas que se mantém acesa a fogueira da nossa identidade, garantindo que nossas crianças continuem descobrindo a força e a beleza de pertencer a um país feito de tantas vozes.

Quer conhecer mais livros de muita imaginação?

Para aprofundar:

  • “A imaginação na literatura infantil”, artigo publicado na Revista Emília por Gianni Rodari: reflete sobre como a fantasia e a literatura estimulam o pensamento crítico e a capacidade inventiva das crianças. Link: https://emilia.org.br/a-imaginacao-na-literatura-infantil/
  • “5 ideias de brincadeiras inspiradas no folclore brasileiro”, no Portal Lunetas: demonstra como os personagens e lendas da nossa tradição oral podem alimentar o brincar e o aprendizado no cotidiano infantil. Link: https://lunetas.com.br/brincadeiras-folclore-brasileiro/
  • “As Trocinhas do Bom Retiro”, ensaio de Florestan Fernandes no livro “O Folclore em Questão”: o grande sociólogo brasileiro analisou, neste ensaio, a autonomia da cultura infantil na preservação e transmissão das brincadeiras e histórias populares nas ruas de São Paulo dos anos 40, com muitas reflexões ainda atuais. É dele a ideia de crianças como “produtoras de cultura” que está no texto. Link: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/proposic/article/view/8643855
Imaginar é aprender a pensar: a cultura popular e a força das nossas histórias